Ansiedade de Desempenho

O que é ansiedade de desempenho? De onde ela vem?

Ansiedade, um dos principais males do século XXI, é uma reação emocional caracterizada pela expectativa de algum perigo difuso, diante do qual o individuo se considera indefeso ou impotente. Ou seja, não consegue controlar.

A ansiedade contínua pode ser um sintoma catalizador de doenças importantes como, por exemplo, síndrome do pânico, fobias específicas ou social, TOC (transtorno obsessivo compulsivo), TAG (transtorno de ansiedade generalizada) e transtorno de estresse pós-traumático.

De forma simplificada, a ansiedade de desempenho é o medo de não dar conta de fazer algo com máxima competência e de atingir os resultados esperados por nós e/ou por nossos líderes. Entretanto, é justamente ela, a ansiedade de desempenho, que dificulta a conquista de bons resultados, pois pode gerar um ciclo vicioso de comportamentos disfuncionais como a falta de concentração, acumulo de tarefas, aumento das cobranças a nós mesmos e aos nossos liderados, podendo se tornar um gatilho para um processo  de distúrbio de ansiedade (conforme mencionado acima).

A ansiedade de desempenho atrapalha o avanço da carreira profissional e, assim, tornando-se um grande desafio a ser encarado.

Isso porque a ansiedade nos leva a uma constante preparação para o enfrentamento e com isso mobiliza nossas energias podendo ao tronar-se crônica gerar uma sensação de desânimo ou até mesmo de impotência que invade a cabeça do indivíduo e reduz a nossa autoconfiança quanto ao nosso futuro no trabalho. A pressão por resultados imposta a si mesmo gera dúvida sobre sua capacidade de cumprir tarefas e prazos estabelecidos, comprometendo ainda mais o rendimento esperado. Pensamentos de fracasso alimentam a ansiedade de desempenho, causando falta de foco e a criação de um círculo vicioso. Portanto, é possível concluir que a ansiedade de desempenho pode estar relacionada ao excesso de cobrança que as pessoas fazem a si mesmas. Essas cobranças podem vir do desejo de agradar alguém, do desejo de competição (se mostrar mais competente que outros) ou de momentos de baixa autoestima.

No mundo atual, onde a velocidade das mudanças são cada vez maiores e a necessidade de lidar com incertezas, complexidades e ambiguidades em nosso dia-a-dia se faz cada vez mais presente, as pessoas tentam estabelecer alguma sensação de controle se cobrando cada vez mais. Desejam apresentar performances espetaculares, perfeitas, querem se comportar sem falhas e atender a todas as expectativas (que na maioria das vezes nem são declaradas, fazem parte da imaginação daquele que se cobra).

É preciso compreender que isso nunca foi e jamais será possível, pois errar faz parte do processo evolutivo e da condição de SER HUMANO!

Para deixar essa questão ainda mais claras é preciso dizer que, muitas vezes, as pessoas deixam de agir como Protagonistas e passam a se colocar de forma bastante coadjuvantes nas situações. O medo de errar, a sensação de incompetência, o sentimento de vergonha por não atender a expectativa do grupo,  fazem com que o individuo vá minando suas forças e se colocando à margem de tudo a sua volta, e quanto mais o tempo passa, menos coragem o individuo tem de se assumir como Protagonista.

Investir tempo e energia se comparando com outros para buscar a perfeição idealizada, deixa o individuo ainda mais distante de suas conquistas. Pessoas que vivem dessa forma agem com pouca ousadia e criatividade, pois evitam tomar riscos. Isso é muito paradoxal, pois assumindo a postura de quem evita erros nos distanciamos da conquista de resultados diferenciados.

Infelizmente, essa cobrança pelo desempenho excepcional pode ser feita em qualquer aspecto da vida, seja familiar, sexual, social, profissional e outros. O que revela a necessidade de cuidar de si mesmo para evitar que a ansiedade o paralise.

Um exemplo real do que descrevi acima.

Trata-se da história do Alfredo (nome fictício do nosso protagonista), publicitário muito competente, criativo e, segundo seus colegas, gestores e clientes, um redator brilhante, capaz de produzir textos memoráveis. Alfredo era muito admirado na agência!

Ele me procurou porque, apesar de lidar de forma exemplar com as palavras escritas, tinha um medo enorme de falar em publico. Entrava em ansiedade só por saber que teria que se expor em alguma situação e, para deixar a dimensão do problema ainda mais clara, para ele falar em publico significava falar para outras duas pessoas. A convocação para qualquer reunião, ainda que apenas para ouvir um comunicado, era sinônimo de noites sem dormir à procura de uma desculpa convincente para não comparecer.

Certa vez, Alfredo recebeu uma proposta de trabalho fantástica de uma agência muito famosa. Soube que o convite tinha sido motivado em função da qualidade de seu trabalho, criatividade e… pelos seus brain storming.

Tudo (quase) acertado, o executivo o convidou para uma reunião, na qual ele se apresentaria aos demais sócios da empresa e aos futuros colegas. Alfredo sabia que só́ um bom desempenho naquela reunião lhe garantiria aquele emprego (sonho de muitos publicitários). A empresa tinha como filosofia o trabalho em grupo, por isso a equipe opinava sobre as contratações.

Então, Alfredo decidiu que era chegado o momento de “vencer o medo”.

Para isso, se impôs da missão de não pensar no problema e seguir adiante, afinal já estava na hora de superar aquela “frescura”.

No dia e hora marcados foi para a reunião, encantado com a ideia de conseguido vencer o problema, acreditando que “aquela bobagem de medo era coisa do passado”.

A recepcionista o conduziu até a sala de reuniões e, diante da porta aberta, Alfredo teve uma visão aterradora, havia uma mesa enorme com umas vinte cadeiras e era sua primeira visita à empresa, e foi a última também. Acreditem, ele desmaiou e teve que ser socorrido. Ao recobrar os sentidos quase morreu de vergonha e nunca mais teve coragem de restabelecer contato com aquelas pessoas.

Mas o que foi que aconteceu?

De forma consciente, Alfredo acreditou que tinha bloqueado o medo, contudo em seu inconsciente o medo só cresceu e naquele instante transbordou.

Esse é um fenômeno que já acometeu vários atletas, às vezes um individuo ou equipe estão muito bem preparados, completamente capazes de ganhar uma medalha de ouro, por exemplo, mas a cobrança interna fruto do medo de decepcionar (o técnico, colegas ou a Nação) gera grande ansiedade provocando uma forte descarga de adrenalina na hora errada, o que leva tudo por água à baixo. Em contrapartida, quando não há ansiedade de desempenho, a descarga adequada de adrenalina (o famoso friozinho na barriga) contribui favoravelmente para uma boa performance, mas para isso é necessário um bom preparo e ajustamento emocional.

Para se livrar, ou passar a lidar melhor com a ansiedade de desempenho é preciso aprender a regular as próprias emoções (a prática de meditação, a manutenção do foco na respiração, exercícios de ressignificação ou projeção da situação podem ser fortes aliados) e desenvolver a resiliência. Dessa forma será possível evitar que a ansiedade atrapalhe a conquista dos resultados desejados.

Uma das ações mais eficazes para contornar esse problema no ambiente corporativo é a busca de estratégias eficientes como o estimulo a pensamentos positivos, garantia de preparo para execução das atividades propostas e o reconhecimento de valor, ou seja, reconhecer a si mesmo (e ao outro se você for um gestor) por pequenos êxitos ao longo da caminhada até o objetivo final. Essas pequenas atitudes ajudam a elevar a autoestima, criando um campo propicio para o sucesso.

Vale à pena destacar que, uma mudança no estilo de vida é essencial para combater a ansiedade, e isso inclui atividades físicas, alimentação saudável, contato social prazeroso e lazer.  Além disso, trabalhar a gestão dos pensamentos e sentimentos através do autoconhecimento pode ajudar, e muito, no desenvolvimento da autoconfiança. Esse trabalho pode ser feito sozinho ou com a ajuda de um profissional.

Outra dica interessante para esse tipo de ansiedade é a troca de experiências em grupo, onde ao ouvir as histórias uns dos outros, é possível identificar com maior facilidade o ‘modus operandi’ do excesso de cobrança e o quanto isso é contraproducente. Além disso, quando um membro do grupo compartilha uma situação de sucesso, encoraja os demais a continuarem buscando seus caminhos para vencer as dificuldades.

Espero que você tenha feito boas reflexões e que leve os aprendizados para seu cotidiano!

Publicado por

Carlla Zanna

Psicóloga especializada em Psicologia Organizacional, pós-graduada em Desenvolvimento Humano e MBA em Recursos Humanos. Possui formação em consultoria com base na antoposofia. É certificada nas metodologias internacionais “The Human Element®” e “LIFO®” que visam o desenvolvimento humano com foco em confiança, abertura e produtividade. Habilitada nas ferramentas de assessment Birkman e MBTI 1 e 2. Trabalhou por mais de 10 anos como executiva na área de RH e Marketing de Relacionamento, gerenciando KPIs, coordenando atividades de gestão de clima e programas de performance, além de oferecer apoio estratégico para conselhos de gestão, áreas de negócio, pares e equipes com foco no alcance de metas e consolidação da cultura organizacional. Professional Certified Coach – PCC pela International Coach Federation – ICF, atua como coach de liderança e vida desde 2002, com foco em produtividade humana e alta performance. Sua formação em coaching inclui The Inner Game, Transpersonal Coaching, Neurocoaching, Presence Coaching e Team Coaching, além de vários outros cursos e conferencias que já participou. Possui cerca de 4.000 horas de experiência em coaching individual, grupos e times. Foi Diretora de Desenvolvimento da ICF Capítulo Regional SP (2010/2017) e Diretora de Responsabilidade Social da ICF Brasil (2017/2018) respondendo também como Project Manager da iniciativa Ignite (projeto global da ICF Foundation atrelado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU). Em 2009 fundou a Transformação Consultoria em Desenvolvimento Humano, pois é apaixonada por pessoas e suas múltiplas possibiidades. Oferece palestras, workshops, facilitação em processos de desenvolvimento humano, coaching e mentoring sempre com o objetivo de estimular o protagonismo e a humanização das relações, tendo como principais eixos a produtividade humana (escolhas conscientes como base para a felicidade) e evolução cultural. Carlla gosta de se auto intitular “humanóloga”, termo que vem do conceito de Humanologia criado pelo Yogi Bhajan. O termo tem como ideias centrais a dignidade, nobreza, gentileza e a comunicação fluida e respeitosa. Para ela ser “humanóloga” significa estar à serviço olhando para o outro de forma profunda.

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